Família Rohr, de Tupandi

O agricultor Inácio Rohr, 45 anos, teve de enfrentar o descrédito dos amigos ao decidir abandonar o uso de agrotóxicos para produzir citros na pequena propriedade da família, na localidade de São Benedito, em Tupandi, no Vale do Caí. Nem os 11 irmãos e o próprio pai, Plínio Rohr, apostavam no que Inácio, conhecido como Inacinho, pretendia fazer na área de 12,3 hectares. Em 1998, o agricultor passou a produzir citros de forma ecológica, abandonando a adubação química.

Ele parou de fazer roçadas e deixou o mato crescer e, aos poucos, ir tomando conta dos cerca de 7 mil pés de bergamotas, laranjas e limões, que ocupam 11 hectares da propriedade. Em 1998, o agricultor introduziu o sistema agroflorestal, com o manejo de árvores nativas - cedro, louro, canjerana e angico - além de plantas de interesse econômico – banana, goiaba e fruta do conde - no pomar.






 

Efeitos do sombreamento

O sombreamento com o uso de árvores nativas mostrou ter efeitos na qualidade das frutas, sobretudo na estética, com uma resposta positiva na comercialização. A produtividade também vem aumentando a cada ano, mas a principal vantagem do uso da sombra das árvores é a redução de pragas e da incidência de pinta-preta, causada pelo fungo Guignardia citricarpa, e de cancro cítrico, moléstia que é causada pela bactéria Xanthomonas citri.

O sombreamento também ajuda a proteger os citros da geada e do granizo. “Com o sombreamento, a pinta-preta e o cancro cítrico, duas das maiores preocupações dos citricultores em todo o mundo, quase desapareceram do meu pomar”, comemora o agricultor.






 

Terra equilibrada

Na transição da adubação química para a orgânica, os pés de citros acusaram a mudança. A produtividade caiu acentuadamente, mas começou a se recuperar com o passar dos anos graças ao composto orgânico fornecido pela Ecocitrus. Porém, depois de mais de uma década de conversão para o sistema orgânico, Inacinho quase não utiliza mais o adubo.

“A terra já atingiu seu equilíbrio e, para 2009, a previsão é que a produção seja de 5 mil caixas de citros”, comemora.






 

Ajuda dos pequenos

Além da esposa Ivete Terezinha Juvert, 44 anos, o agricultor Inácio Rohr, conta com a ajuda de dois pequenos ajudantes para cuidar dos cerca de 7 mil pés de citros, que se espalham por uma área de 11 hectares na localidade de São Benedito, em Tupandi, no Vale do Caí: a menina Wanda Natascha, 4 anos, e o pequeno Lucas Augusto Rohr, 3 anos.

Sempre acompanhada do cachorro Lobo, a dupla circula com desenvoltura em meio ao pomar. Ainda que carreguem balas nos bolsos e na mochila da ratinha Minnei e em tudo achem motivo para brincadeiras, os dois também ajudam e tornam o trabalho do casal ainda mais prazeroso.












 

Uma família feliz

Os Rohr saltam da cama bem cedo para cuidar das cabeças de gado leiteiro e do pomar e para atender os turistas que visitam a Agrofloresta do Inacinho. Mas a família não dispensa o almoço em conjunto todos os dias, faça chuva ou faça sol.

Como a menina Wanda vai à escola no início da tarde, todos almoçam mais cedo. Na mesa não podem faltar as hortaliças cultivadas no quintal e nem os sucos naturais.




“Uma coisa que não abrimos mão é que toda a família almoce junto”, diz Inacinho.

 






 

Propriedade modelo

Nos 12,3 hectares da Agrofloresta do Inacinho despontam frondosos pés de angico, louro, canjerana, cedro e aroeira mansa consorciados com cerca de 7 mil pés de bergamotas, laranjas, limas e limões. Antes apontada como inviável, a propriedade hoje serve de modelo e frequentemente é visitada por pesquisadores de todo o Brasil e até mesmo do exterior. “Já vieram estudantes e pesquisadores de países como Alemanha, Áustria, Argentina e Uruguai”, conta o citricultor.

 

 

Sonhos

Inacinho tem planos de aumentar a área plantada com citrus nos próximos anos. Mas sonha mesmo é em construir a Casa Permacultural para poder receber melhor os turistas em sua propriedade, que, desde 2007, integra a Rota Sabores e Saberes do Vale do Caí, o roteiro de turismo rural que destaca os pontos turísticos de Montenegro, Bom Princípio, Harmonia, Capela de Santana, Pareci Novo e Tupandi.

 










 


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