Agrotóxicos
na mesa do brasileiro, alerta Anvisa
Sinal vermelho na hora de comprar
alimentos. A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), por meio do seu Programa Nacional
de Análise de Resíduos de Agrotóxicos
em Alimentos, revelou recentemente que alimentos presentes
na mesa do brasileiro apresentaram resíduos irregulares
de defensivos agrícolas. Das 17 culturas analisadas
pela agência, em 1.773 amostras coletadas, pouco
mais de 15% apresentavam níveis altos de toxicidade.
O grande vilão dessa história
é o pimentão. Nesse alimento foi encontrado
o maior nível de agrotóxicos. Das 101 amostras
coletadas em supermercados, o legume apresentou irregularidades
em 65 (64,36%). Em seguida, vieram o morango (36,05%),
a uva (32,67%) e a cenoura (30,39%).
Desde 2001 é feito o monitoramento,
mas no começo da experiência poucos Estados
participavam e eram coletados apenas nove tipos de produtos.
No ano passado o controle passou a ser feito em todo o
país, agora com 17 produtos. Somados todos os exames,
o uso irregular de agrotóxico, ou por ser produto
proibido, ou por excesso, corresponde a 15,28% em todos
os alimentos analisados pela Anvisa.
Boas notícias - Entretanto,
nem tudo são más notícias. O levantamento
revela que muitos alimentos tiveram quedas no índice
de agrotóxicos. O tomate, que em estudos anteriores
apresentou 44,72%, baixou para 18,27%. A batata caiu de
22% para 2% e a banana reduziu de 6,53% para 1,03%, ambas
no período compreendido entre 2002 e 2008. Outros
produtos comuns na mesa do brasileiro, como arroz, feijão,
maçã e cebola, apresentaram níveis
abaixo de 4,5% de irregularidade.
Cuidados - Para reduzir o choque
pela ingestão desses alimentos contaminados, os
consumidores têm de lavar muito bem os alimentos
e retirar as folhas externas, como forma de precaução.
No entanto, a Nota Técnica de Esclarecimento sobre
o Risco de Consumo de Frutas e Hortaliças Cultivadas
com Agrotóxicos, publicada pela Anvisa, mostra
que o ato de lavar não retira completamente os
agrotóxicos dos alimentos. A agência ressalta
que não tem conhecimento de estudos científicos
que comprovem a eficácia da água sanitária
ou do cloro na remoção ou eliminação
de resíduos de agrotóxicos nos alimentos.
Ainda segundo a nota técnica,
para diminuir a ingestão de agrotóxicos,
o consumidor deve optar por alimentos certificados como,
por exemplo, os orgânicos, e por alimentos da época,
que a princípio necessitam de uma carga menor de
agrotóxicos para serem produzidos. A orientação
é procurar fornecimento de produtos com a origem
identificada, pois isto aumenta o comprometimento dos
produtores em relação à qualidade
dos alimentos, com a adoção das boas práticas
agrícolas.
A preocupação da Anvisa
não é à toa. Afinal, em 2008, o Brasil
assumiu o posto de maior consumidor de agrotóxicos
em todo mundo, posição antes ocupada pelos
Estados Unidos. Só o mercado de agrotóxicos
movimentou mais de US$ 7 bilhões.
Fonte: Anvisa